Crítica | Star Wars: Os Últimos Jedi

Star Wars Os Últimos Jedi Critica

Dia 14 de Dezembro à meia-noite e um, estreou nos cinemas brasileiros o oitavo filme da franquia Star Wars, levando o título de Os Últimos Jedi. Como uma amante do cinema e também da Saga, eu não poderia perder a estreia. Então, trago aqui em um Post especial do Terça com Pipoca, fugindo do seu dia tradicional para proporcionar a vocês a experiência da história criada e dirigida por Rian Johnson. Espero que gostem da crítica!

Durante a sessão de Os Últimos Jedi, pensei em diversas frases que eu gostaria de escrever aqui para ilustrar o que eu estava vendo e sentindo, porém o contraste de cada cena era tão chocante que essas frases iam se esvaindo. A sustentabilidade da história em Os Últimos Jedi, se manteve e foi elevada trazendo um tom diferente do que em O Despertar da Força, um tom mais sombrio foi apresentado. Logo, é importante destacar que não há um salto temporal entre o sétimo filme e o oitavo. Um começa logo após o final do outro.

A parte de fotografia do filme, merece um destaque, pois estava deslumbrante. Reforçando o tom sombrio que o filme apresentou e não apenas mostrando um cenário espetacular na Galáxia, mas em cada detalhe dos planetas e na Ilha de Ahch-To, onde Rey vai no final do sétimo filme. O Planeta de sal onde trava-se uma das últimas cenas, para mim, foi mais que lindo. As naves deixando um rastro vermelho no chão e os equipamentos de guerra. Realmente, é de tirar o chapéu.

Ao encontrar-se com Luke Skywalker, Rey estende seu sabre de luz e o sétimo filme é encerrado. Em Os Últimos Jedi, entendemos o que levou Luke a afastar-se de todos. A atuação de Mark Hamill, é digna de elogio e posso arriscar que foi uma das melhores. Sustentando um Luke Skywalker recluso, tomado por sentimentos de arrependimento e carregando uma história da qual não se orgulha – estou tentando não dar spoilers, aqui – com certeza, vemos um outro lado do personagem, mas que em um momento me decepcionou quando questionado pelos fãs da Saga. Aquele mesmo cara que viu um lado bom em Darth Vader, que questionou a escuridão e viu que havia confusão dentro de Vader, não questionou nem um momento o próprio sobrinho. Seria ele, o mesmo personagem ou o roteirista esqueceu disso?

Além de Luke, o desenvolvimento dos demais personagens deu um santo tanto que olímpico, despertando em mim o sentimento de amadurecimento precoce em alguns deles. Um desses casos é o de Rey, interpretada com maestria por Daisy Ridley. Traçamos uma linha do tempo para compreender melhor, lá em O Despertar da Força, ela era uma ninguém que acreditava que os Jedi eram apenas uma lenda. O desenvolvimento dela até o fim foi surpreendente e Rey já dominava com uma perfeição um tanto rústica A Força. Porém, em Os Últimos Jedi, mesmo sem um treinamento ela já sabe fazer coisas que nem Darth Vader fazia em seus anos de Padawan.

Com relação a Kylo Ren, o personagem começou a mostrar uma postura diferente da retratada no filme anterior – de adolescente revoltado. Ele está em crise, confuso com suas ações, porém cheio de odeio do que houve em seu passado. Onde, para mim, ele era quase uma piada, ele mostrou-se um personagem profundo e digno de sentimento de pena e às vezes, ódio. O conflito do personagem, faz com que o público goste um pouquinho mais dele como vilão. Porém, onde talvez não houve desperdício em Kylo Ren, houve em Snoke. O verdadeiro vilão da nova trilogia, foi mal explorado, mal aproveitado e só consigo pensar em uma palavra para descrever tudo: desperdício. Desperdício de ódio, de história e aprofundamento. Afinal, o que faz um bom filme deste gênero? Um bom vilão!

Queria destacar que quando o filme promete engrenar para algo muito maior, ele parece morrer na praia. O uso absurda da Força, foi uma coisa que também me deixou intrigada. Nunca antes visto, a força estava sendo usada de uma forma absurda. A longa distância, hologramas que podem usar a Força, projeções a longas distâncias… algo absurdo. Já a surra que ambas as partes levam, me deixou apreensiva, com medo de não sobrar ninguém de nenhum dos lados. Isso, na minha opinião, deixou as batalhas muito interessantes. Fiquei de boca aberta em vários momentos!

Agora, minha surpresa e tensão em diversas cenas eram constantemente quebradas pela insistência na comédia. Uma comédia digna da Disney e do público juvenil. Que muitas vezes não se encaixa nas cenas que eles prometem entregar e na tensão envolvida. Na primeira cena do filme, olharam pra mim e perguntaram “isso é Star Wars?” Momentos que eram tensos, dramáticos foram interrompidos por essas piadas, e mais um vez entra a palavra: desperdício.

Sendo assim, o lado sombrio que muitas vezes é apresentado, é quebrado por situações desnecessárias. Não estou sendo radical e dizendo que nunca houve piadas e que elas não deveriam existir, mas como tudo na vida há sempre um momento certo para isso. Os pontos destacados me incomodaram, mas no geral o filme não é ruim! Ele entrega uma história aprofundada, apenas falha ao modificar personagens da velha guarda. Já a intensidade dos personagens me surpreendeu, assim como o BB-8 está sensacional, podendo ser digno o suficiente para ser chamado de herói.

Assim, eu aguardo sim o próximo filme com entusiasmo e estou curiosa para entender o desfecho dessa história, dos caminhos e do autoconhecimento dos personagens. Mesmo com algumas falhas e equívocos, o filme ao todo é realmente muito bom!

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